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R$ 13,9 mi contra poluição

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Desde o início do projeto cearense, há esforços para minimizar os prejuízos ambientais (Foto: Silvana Tarelho)

Térmica a carvão em construção do Pecém aplicará recursos em programas de redução de impactos ambientais

Lisboa. Investir uma soma de R$ 13,9 milhões. É o que a UTE Pecém promete aplicar em programas para minimizar ou compensar os impactos ambientais da operação da térmica com matriz a carvão, que está sendo encravada no município de São Gonçalo do Amarante, no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP), a 60 Km de Fortaleza. Somente na primeira fase do projeto, os recursos com este fim chegam a R$ 9 milhões.

Segundo o presidente da UTE Pecém, Moacyr Carmo, a empresa já começou a doação de 120 mil mudas de espécies nativas da região neste início do empreendimento, e terá mais 180 mil em reflorestamento e compensação ambiental até a conclusão do projeto. Além disso, a captura de CO2 com microalgas terá uma experiência piloto na usina. Moacyr Carmo e outros diretores das empresas parceiras do empreendimento – compartilhado pela MPX Geração de Energia e pela EDP Energias do Brasil – levam hoje representantes da imprensa cearense, que estão em Portugal, para conhecerem a Central Termelétrica de Sines, semelhante a que está sendo implantada no Pecém e que já foi visitada pelo governador Cid Gomes.

A usina de Sines, situada na costa alentejana, região também portuária, é o centro produtor de energia elétrica de maior potência instalada em Portugal, mas que não deixa de ser alvo de críticas de ambientalistas pelas emissões de CO2. Pedro Sirgado, da EDP, proprietária do empreendimento, afirma que a central de Sines é dotada da melhor tecnologia existente no setor para minimizar impactos ao meio ambiente, mas reconhece que a saída é adotar compensações pelo CO2 emitido. A UTE do Pecém, diz, contará com os mesmos recursos de monitoramento e redução de emissões existentes na térmica de Sines.

A MPX e a EDP, desde o nascedouro do projeto cearense, cercam-se de atenções para minimizar os prejuízos ambientais, reforça Moacyr Carmo.

Os cuidados, garante o presidente, vão incluir tecnologias no manuseio e transporte do carvão e, durante a operação, no atendimento aos limites das emissões preconizadas pelo Banco Mundial (Bird).

Proximidade de pólos

Quando construída, a usina de Sines considerou a localização próxima ao porto, na confluência de rotas internacionais. Naquela região do Alentejo situam-se ainda terminais petrolíferos e de mineração. No caso da UTE Pecém, dentro da área do CIPP, o governo estadual aguarda a implantação da refinaria Premium II da Petrobras, da Companhia Siderúrgica de Pecém (CSP), da ZPE e espera ainda no futuro atrair um pólo petroquímico.

O carvão a ser utilizado pela térmica cearense virá da Colômbia, Venezuela, África do Sul e Moçambique. Será levado por correia transportadora, já em fase de licitação para a compra, com extensão de cerca de 12 quilômetros.

PRODUÇÃO QUASE DOBRARÁ
Ceará passará a exportar energia

Lisboa. A UTE Pecém, em sua primeira fase, será responsável por quase dobrar a produção de energia no Ceará. A expansão é projetada em 90% com as duas unidades geradoras de 360 MW, a serem lançados no Sistema Interligado Nacional (SIN) e transferidos por uma linha de transmissão em 230 KV, conectada a subestação de Cauipe. O Estado passará a exportar energia.

No total, o projeto prevê 720 MW, mas na segunda etapa a EDP Energias do Brasil — braço da EDP Portugal —, não será parceira. A decisão foi anunciada pela empresa após eclodir a crise financeira internacional. O restante do projeto será tocado pela MPX.

Atualmente, foram concluídas 8% das obras civis da térmica cearense e as primeiras peças começam a chegar. Em maio próximo, segundo o presidente da UTE, Moacyr Carmo, deverá começar a ser liberado parte do financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), no valor de US$ 147 milhões destinado ao empreendimento, que também integra o PAC. O investimento na primeira fase da térmica é de R$ 1,2 bilhão.

O consórcio formado pelas empresas Mabe — Maire Engeneering, Tecnimont e Efacec toca as obras civis. Nesta primeira fase, serão consumidos 70 mil metros cúbicos de concreto, equivalentes a construção da estrutura de 39 prédios de 22 andares. A tubulação inclui 28.541 metros de comprimento, o que daria para ir e voltar de Fortaleza a Caucaia. O cronograma da UTE Pecém prevê a operação comercial da primeira unidade geradora em julho de 2011, enquanto que a segunda entrará em outubro do mesmo ano. Na segunda fase a ser implantada, com mais 360 MW, a terceira unidade geradora deverá funcionar em julho de 2012.

(Fonte: Diário do Nordeste – Editoria: Negócios)