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Noticia Arquivada

Portos nordestinos não atraem parcerias

Com o estreitamento das relações entre China e Brasil, a estrutura portuária nacional deve estar preparada para atender os novos negócios que inevitavelmente surgirão entre os dois países. Por enquanto, os portos do Sul e Sudeste estão no centro das atenções, mas o ministro-chefe da Secretaria Especial dos Portos, Pedro Brito, garante que não faltam planos para o Pecém (CE), Itaqui (PA) e Suape (PE).

De volta de uma missão de dez dias por países asiáticos em comitiva composta pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ministros e empresários, Brito volta otimista com o resultado dos contatos na China, Hong Kong e Cingapura. De cara, foram garantidos US$ 4,6 bilhões para a expansão do porto de Santos (SP). A contrapartida ao financiamento do Banco do Desenvolvimento da China é que empresas chinesas participem da execução do projeto.

Com a obra, o porto duplicará sua capacidade, hoje em dia de 110 milhões de toneladas por ano. O forte são as exportações de soja e minério de ferro, assim como em outros portos do Sul e Sudeste — a exemplo de Tubarão (ES), Paranaguá (PR) e Itajaí (SC), por onde também escoa a produção de frango. São esses os portos que atraíram investidores.

´Infelizmente não vimos nesse primeiro momento interesse em portos das regiões Norte e Nordeste´, admite Brito. No entanto, reverter essa situação, segundo ele, é ´uma questão de tempo´. Isso porque o ministro acredita que a aproximação com a China está consolidada: ´Acho que isso tem tudo para ser definitivo´.

Vale lembrar que o mês de março foi marcado por uma reviravolta histórica: a China se tornou o maior comprador de produtos brasileiros, encerrando uma liderança de 80 anos dos Estados Unidos. Resultado este que se repetiu em março. Com a consolidação dessa parceria, novos negócios devem surgir, favorecendo outros portos no restante do Brasil.

Para o ministro, a expansão do Canal do Panamá, que deve ser concluída nos próximos cinco ano, abre possibilidades para o Norte e Nordeste. ´Vamos ter na costa navios muito grandes, que antes não passavam aqui´, conta. Vislumbrando essa mudança, projetos estão sendo elaborados para Itaqui, Suape e Pecém — todos eles fortalecendo atividades já realizadas com êxito nesses portos.

Em Suape, o foco está na indústria naval que já vem se formando. Para Itaqui, o plano é estimular a exportação de minérios, que já é feita para a Europa, também para a China. No Pecém, o projeto é desenvolver uma especialização para exportação de frutas, aproveitando a expertise de um grande operador mundial de contêineres que já trabalha no porto, a APM. ´Dentro do conceito de porto-indústria, o Pecém está preparado para a China´, diz, inclusive para exportação de automóveis — já que montadoras no Nordeste é objetivo de empresas asiáticas.

Brito destaca ainda o potencial dos 124 portos privativos existentes no Brasil, pertencentes a exportadoras e especializados em commodities — que prometem ser a grande moeda do Brasil nas relações com os países asiáticos. Vale e Petrobras, por exemplo, estão nesse rol privilegiado de empresas que já vendem para a China.

Na missão foram iniciados também contatos com as duas maiores empresas de contêineres do mundo: a Hutchison, em Hong Kong, e PSA, em Cingapura. O proprietário da PSA inclusive vem ao Brasil em junho. ´Esperamos investimentos em projetos greenfield [em que a empresa investe do zero, sendo responsável por projetos e licenciamentos, por exemplo] ou associações com empresários brasileiros, que é o que nos interessa mais e queremos incentivar´, diz Brito. Cerca de 30 empresários da área portuária estavam na missão asiática.

 

(Fonte: Diário do Nordeste – Editoria: Negócios)