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Notícia

Mulheres Inspiradoras: conheça a história de Ieda e Duna

Ieda Passos está acostumada com ambientes predominantemente masculinos desde a sua vida acadêmica. Formada em Engenharia Civil, a profissional não estranhou quando começou a trabalhar no setor portuário e se deparou com um quadro de colaboradores majoritariamente masculino. Segundo ela, apesar de ser uma situação difícil, o fato de ser minoria nunca atrapalhou seu desempenho.

Ela relembra o dia em que iniciou suas atividades no Porto do Pecém, em 2002.  “Eu, que nunca tinha pisado em um porto, fiquei maravilhada com a grandiosidade do Pecém”.  Desde então, Ieda já passou pelas áreas de engenharia, recursos humanos e área ambiental da empresa. “Trabalhei com diferentes equipes, diferentes diretores e presidentes. Aprendi muito com cada um que passou por essa minha caminhada e sou muito grata a todos”, pontua.

Mulheres na liderança

Em 2012, assumiu a equipe de Meio Ambiente e Segurança do Trabalho do Complexo do Pecém. O reconhecimento de Ieda dentro da empresa fortalece o espaço que as mulheres estão conquistando no setor portuário, ocupando, cada vez mais, cargos de liderança.  “É gratificante ver uma mulher gerenciando equipes. Eu acredito que ser líder não se limita a nomeação, e sim está ligado diretamente a postura, a forma como uma pessoa trabalha”, acrescenta.

Para Ieda, as mulheres se destacam em equipes onde a maioria são homens, principalmente, por conta da forma de executar tarefas. “Eu vejo que as mulheres são muito organizadas, se envolvem mais no trabalho. Com certeza, gera um desgaste maior, mas, no final, elas entregam e finalizam todas as demandas”.

Desafio diário

Trabalho, filhos, casa, família, a tripla jornada feminina faz parte da vida de milhões de brasileiras e, para Ieda, conciliar todas essas tarefas tem sido seu maior desafio até o momento.

Mãe da Júlia, ela se divide entre as preocupações em manter uma operação segura e as obrigações dentro de casa. “No final, tudo dá certo. Basta se organizar, conhecer bem seu trabalho, dar o seu melhor. Nós, mulheres, precisamos somar. Dessa forma, o reconhecimento sempre chega”, finaliza.

De volta para casa

Atuando como Diretora Executiva Comercial do Complexo do Pecém desde 2019, Duna Gondim Uribe passou a maior parte da sua vida morando fora do Brasil. Antes de retornar ao Ceará, ela atuou 10 anos no Porto de Roterdã, tendo participado de todo o processo que resultou na parceria entre o porto holandês e o Porto do Pecém. Hoje, ela compartilha conosco um pouco de sua carreira e a experiência em ser mulher e ocupar um cargo de liderança no setor portuário.

Formada em Negócios Internacionais e Supply Chain Management, pela University of Maryland, nos Estados Unidos, Duna conta que, recém-formada, trabalhou em uma empresa que importava quase tudo da China.  “Eu tinha uma função bem operacional. Era responsável por localizar a mercadoria do seu cliente interno ao longo da cadeia logística”, relembra.

Com o tempo, a diretora começou a sentir interesse pela parte mais estratégica do negócio. “Eu queria saber porque a logística funcionava daquele jeito, como se organizavam os players de mercado – operadores de terminais, armadores, ferrovias, etc”, disse. Partiu, então, para mais um desafio: morar em Roterdã, nos Países Baixos, para fazer o mestrado em Economia Marítima.

Uribe iniciou sua carreira no Porto de Roterdã como estagiária e atuou como Líder de Projetos até o fim de 2018, quando foi fechada a parceria entre o Porto do Pecém e o terminal holandês. “Roterdã foi e continua sendo uma grande escola. Lá, tive o privilégio de conhecer de perto terminais, refinarias, ferrovias, organizações de classe e tudo o que tem a ver com esse fascinante mundo da logística”, destaca.

Mulheres no setor de infraestrutura e logística

Apesar de ainda serem minoria no setor, a diretora acha gratificante quando se depara com outras mulheres em posição de liderança em empresas da área. Hoje, o Complexo do Pecém possui três diretoras – duas no Porto do Pecém e uma na ZPE Ceará. Duna relata que se sente muito bem podendo, através de sua história e gestão, empoderar sua equipe e até inspirar outras mulheres a almejarem posições de liderança no setor portuário.

“As estruturas de tomada de decisão, de forma geral, nas corporações ainda são dominadas pela liderança masculina e, sendo assim, falta consciência da necessidade de termos no comando uma equipe diversa, que pensa de forma diferente e que, naturalmente, seja formada por ambos os gêneros”, afirma. 

Ela acredita que, atualmente, o problema não é as mulheres entrarem no mercado de trabalho, mas sim crescerem dentro da carreira. Por isso, Duna deixa um conselho para todas as mulheres que sonham em crescer profissionalmente: comunique-se.

“Seja sempre curiosa, pergunte, leia, converse com quem entende do assunto. Questione, na sua cabeça, o status quo e se pergunte o que você pode fazer para trazer valor àquela situação. Seja sempre útil, deixe sua marca e contribuição. E fale o que você quer: ninguém adivinha que você quer ser promovida, quer mais responsabilidades, quer trabalhar numa área diferente”, complementa a diretora.